Goiás
Planos de governo em Goiás ignoram debate fiscal, avalia Einstein Paniago
O economista também chama atenção para as contas que o próximo governador encontrará a partir de 2027.
Foto: Divulgação
Os planos de governo apresentados por candidatos ao Governo de Goiás têm deixado de abordar informações importantes sobre a situação financeira do Estado, segundo levantamento do professor e economista Einstein Paniago. O estudo analisou 33 documentos registrados na Justiça Eleitoral entre 2010 e 2026 e encontrou poucas ou nenhuma referência a assuntos como dívida pública, previdência, receitas, gastos com pessoal e limites financeiros que podem afetar o cumprimento das propostas apresentadas nas eleições.
A pesquisa faz parte do projeto “O Contrato Opaco”, desenvolvido pela Fundação João Mangabeira em Goiás, e analisou 1.303 páginas de planos apresentados em cinco eleições. Paniago afirma que o problema se repete entre diferentes candidatos e grupos políticos. “O silêncio fiscal não é acidente de redação, mas é propriedade estrutural do gênero, estável entre pleitos, transversal aos campos e resistente ao agravamento público da restrição silenciada”, avaliou.
O economista também chama atenção para as contas que o próximo governador encontrará a partir de 2027. Segundo o estudo, cerca de 39,6% da receita estadual de 2026 depende direta ou indiretamente de uma base tributária que será extinta com a reforma do consumo, enquanto o planejamento oficial para 2027 já projeta resultado primário negativo. Para Paniago, apresentar custos, fontes de recursos e limitações financeiras permitiria ao eleitor avaliar melhor se as propostas apresentadas durante a campanha têm condições de sair do papel.
“A política tem direito ao projeto e ao conflito, mas o eleitor tem direito à inteligibilidade”, afirmou Paniago. Para o pesquisador, aumentar a transparência dos planos não impede a apresentação de projetos ambiciosos, mas permite que a população conheça as condições necessárias para executá-los. Paniago é doutor em Direito, mestre pela PUC Goiás, professor universitário e conselheiro federal de Contabilidade no mandato 2026–2029.
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